terça-feira, 13 de outubro de 2009

Culpa




Cheguei cansada,
Colhi as flores,
Murchas, coitadas,
Descoloridas, empoeiradas,
Pareciam mortas.

Reguei as flores,
Como sangue em carne viva,
Dilaceradas, de pétalas escorridas
No ralo da pia.
Não ressucitaram.

Agora vão me culpar por todas as queimadas da vida.

quarta-feira, 7 de outubro de 2009

Black is Beautiful - Flá Perez


                                                      Arte: "The Dance" de Marco Angeli

 

A negra pele tua


- carne firme e nua -


não me quer
deixar
um só momento.


Teu tesão,
latejando em meus lençóis,
não me deixa nunca
o pensamento.


Acaricio,
seios, ancas, coxas
( lugares onde
fizestes
essas pequeninas
marcas roxas)


seus-meus dedos
deslizo:


e transformo
saudade
em gostoso
tormento...


Contrafeita
satisfaço-me,
plenamente insatisfeita.


O telefone toca
e te ouço, rouco:


- Quero mais , meu amor
quero sempre!
Porque um dia, benzinho,
 é muito pouco!

Esse poema foi selecionado e publicado
na Antologia Vide-Verso, Editora Andross 
em 2008 e modificado hoje.

sábado, 3 de outubro de 2009

Medo

Acordo regada em suor novamente.
As marcas de seus dedos arroxearam meus braços, ainda sinto a dor. A alma esfacela-se em lembranças antes julgadas mortas, despertas por um grito surdo, tenso.
Demoro-me a descobrir a nudez dos pés, desprotegidos, solitários.
Teu rosto ecoa em minha mente como espectro real, sobrevoando meus pensamentos mais obscuros. Luto com isso, digladio contigo. Por quê? Sempre pergunto. Mas percebo que muitas respostas ficam abstrusas, perdem-se em esquinas de enleios soltos.
Brigo com Deus, mas me lembro que as pessoas são obtusas e livres.
Foram anos, primeiro meu pai, depois você. Declarara cuidar, por ter-me tirado de sob as asas de minha mãe. As lágrimas ainda vêm furtivas quando me lembro, sem esforço, antes como memórias convulsivas.
O que farei com os pedaços da alma quando me vem o chão e quebra-me a racionalidade?
Nunca disse que não poderia viver sem a sua presença, mas acostumei-me a ter rédeas, às vezes curtas.
E a liberdade? O que faz um pássaro domesticado que tem sua gaiola aberta de repente?
No começo eu chorei, não sabia por onde ou como voar. Estava acostumada à desordem da prisão suja. No entanto, quando senti a primeira brisa da manhã, gelando as lágrimas recém secadas, pude notar o sol com outros olhos.
E voei. Senti-me livre. Sem rumo no início, mas encontrando logo o caminho.
As lágrimas, contudo, teimam em me açoitar algumas vezes. Principalmente nas noites solitárias em que anseio por um outro tipo de liberdade que já conheço de vista.
E os teus gritos ainda agridem meus sonhos; e minha alma ainda tem as marcas; e o coração ainda chora as feridas. Tento te matar, mas você continua me afrontando com um riso irônico bem vivo. Está longe, fora das vistas, contudo.

domingo, 13 de setembro de 2009

Descortina-me a alma adormecida

.

Os ventos rasgam forte o meu medo

A chuva irrompe o silêncio
Os trovões soam angustiantes
No espetáculo que se impõe...

Gotas incendeiam meu adágio
Que estremece nas entranhas
Cortantes de expectativas
E congelam na memória

Vivi as teias traçadas pelo destino
Mas não vivi os desejos reprimidos...
Marcados pelas pedras e tempestades

Vidas desafiam e desfiam o tempo...

Nuvens afagam lágrimas que caem
E enlaçam as dores cristalinas
Da lua escura que se distrai em cólera
Em júbilo junto à noite que desencanta

E sob a indiferença dos céus indigentes
Descortina-me na inerte alma adormecida.
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sexta-feira, 11 de setembro de 2009

rabisco mudo



.


Gritei. Por medo. Por dor. Por nada.
Grito redondo, gordo, insensato.

E vazia. Talvez te chamasse
Fossem desmedidos meus dias

Não tivesse calculado,
Previsto, desenhado
O minuto a minuto.

Tudo.

Confunde-me a sobra que se arrasta
No silêncio

Não há desvario.
Minha confusão
não tem voz.

Preciso
só o rabisco mudo
do teu nome
na memória.

Sortilégio burlando e
invadindo meu dia.

segunda-feira, 7 de setembro de 2009

Willien Nidden - Flá Perez


Era um viking assim diferente,
quase elegante.


Um whitman que, de repente
pediu pra cuidar de mim

e nada ficou como antes.

Por certo causou-me estranheza
esse deus meio hyppie,
poeta caeiro,
com jeito de príncipe.


Mas ele foi como veio:
mansa mancha amarela
no olho pisado


de azul fera.



Convido todos para o lançamento do meu livro

"Leoa ou Gazela, todo dia é dia dela"

na Livraria Cultura Shopping Iguatemi Campinas,

dia 11/09/2009 a partir das 19:00 horas .

E para o lançamento e noite de autógrafos em São Paulo,

que acontecerá durante o XXIII Sarau Politeama Diverso:

Data: 15/09/2009 Hora: 20 h 46 m

Local: Fidalga 33

Rua Fidalga, 32 – Vila Madalena

Tel: 3032-7346

terça-feira, 1 de setembro de 2009

Saudade Não É Bem Assim



Saudade Não É Bem Assim
by Cris Linardi



Às vezes me esqueço da dor
Esqueço-me quem sou
E o dia mascara o sofrimento
A saudade não é tua
A vontade agora é nula
Sinto falta do momento
Calamidades sentimentais
Acumulam-se nos vendavais
Quando a ausência incita o sentimento
A verdade, sei agora
Talvez já soubesse outrora
Mas não sinto falta de seu beijo
O que fica, isso entendi
É a ausência, o que perdi
E não a pessoa que um dia esteve aqui dentro


Poema simples que fiz no começo de uma nova fase da minha vida, quase um parto; não que poesia a gente tenha que explicar...