roça meus olhos teu beijo vago
a tarde despenca em gotas de suor
direto do hades você me recita
lista feitiços e convida
num mantra dissonante
que sorri débil e febril
arrebentando os anteparos
distraída canta meus olhos
violentando as palavras
tua língua me conta
foram dez beijos inexistentes
os símbolos deslizam sob a porta
enquanto os corvos te devoram
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sábado, 12 de fevereiro de 2011
quinta-feira, 19 de novembro de 2009
ARCANO 16

o vento brinca com a árvore na janela
e tua voz vem riscar a vidraça
é tão tarde
quando sussurras teus versos
em rimas surreais
que deslizam pelos meus sonhos
junto com umas lágrimas descabidas
é tão tarde
para riscar peles e vidraças
até os mortos sussurram
longas árias
em cadencias insanas
enquanto você chora
em rimas perfeitas
murmura histórias arcanas
versos
música
hosanas e teu corpo
é tão tarde
eu sussurro
os mortos mentem
em línguas mortas
enquanto a tua desliza
no céu da boca
segredos estelares
bobagens seculares
mentiras de vento e folha
que eu finjo não ver
nesse gozo esquecido
perdido entre as frinchas da noite
eu entendo
tudo, ou quase tudo,
de tudo que nunca entendi
meus olhos ardem
e te esquecem um pouco mais
fecho o livro sem pressa
guardo o poema junto aos meus
que dormem sozinhos
teus mortos sussurram
é tão tarde
segunda-feira, 19 de outubro de 2009
DENSIDADE
|
sexta-feira, 11 de setembro de 2009
rabisco mudo

.
Gritei. Por medo. Por dor. Por nada.
Grito redondo, gordo, insensato.
E vazia. Talvez te chamasse
Fossem desmedidos meus dias
Não tivesse calculado,
Previsto, desenhado
O minuto a minuto.
Tudo.
Confunde-me a sobra que se arrasta
No silêncio
Não há desvario.
Minha confusão
não tem voz.
Preciso
só o rabisco mudo
do teu nome
na memória.
Sortilégio burlando e
invadindo meu dia.
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