Cheira à maçã e champanhe,
o vento da boca do rio
onde a moça se banha.
O vento que sente
o leito do seio
causa longo arrepio,
pois perto do rio,
o vento
é muito mais frio.
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quarta-feira, 7 de julho de 2010
segunda-feira, 7 de junho de 2010
sexta-feira, 7 de maio de 2010
D. Juan de Saias
Muito tempo depois da separação ela achou, numa caixa velha e cheia de coisas que trouxera da casa da sogra, entre cadernos de escola do ex-marido, uma lista bem amassada de todas as garotas que ele havia comido, namorado ou só ficado.
Achou engraçado, patético até, mas depois pensou melhor "talvez estivesse se prevenindo para que não acontecesse o que aconteceu com ela: não se lembrava de todos!!!!"
Quando tentou fazer a sua própria lista mentalmente, sentiu-se um Don Juan de saias, como sua mãe a chamava (e ela não acreditava). Perdeu a conta e resolveu anotar também. Começou a escrever:
2 Marcelos, Giácomo (primeiro beijo), Rogério (primeiro amor, primo de Giácomo), Toninho (primeira dança lenta, segunda, terceira...), Mário, Alberto, Pedro (in memorian), 2 Franciscos (um deles teatrólogo, o outro, só louco), Konga (não era uma macaca, era um homem com o qual botei chifre no Francisco louco),
2 Marcos, Mauro (gêmeo de um dos Marcos), Márcio (o homem mais feio que já existiu), Renato (desvirginei, então tive que noivar), 2 Fernandos...
Pensava “Como consegui me formar? Como conseguia estudar desse jeito? O que a minha mãe estava fazendo que não via isso?” e sorria.
Continuou: 2 Carlos, 2 Guilhermes (in memorian de um), 3 Eduardos, Roberto (o ex-marido), um menino na danceteria idêntico ao Roberto (nem perguntei o nome), Cláudio, Licor (garçom do meu bar), um japinha no carnaval (um açougueiro, de japonês só tinha o olho e o cabelo), o amigo do primeiro Fernando, o Milionário (não posso escrever o nome), o Músico (muito menos), o Desconhecido da net (nenhum nome me ocorreu), 2 Saulos, Flor–de– Lis (esqueci o nome, mas como sempre íamos a um forró que se chamava assim...), Chulo (codinome do professor de pós-graduação mais sacana do mundo), outro japa (dessa vez cientista, cortava grandes carnes em laboratório), Elias (um mulato), Felipe, Daniel, 1 Alex e 1 Alexei, Derico, Ernani, Alfonso.
A seqüência não foi bem essa. Mais ou menos.
Em determinados momentos quis engolir o mundo e as coisas andaram meio nubladas.
Com uns foram só beijos sem namoro, outros namorou e não transou, outros transou e não namorou.
Muito poucos pensou que amou.
Dois ou três sublinhou com cor-de-rosa ou vermelho-vivo: “lembrarei até o dia da minha morte”.
Uns com carinho e saudade, outros por maus motivos.
De alguns sentia até o cheiro, o sabor do beijo, a temperatura e textura da pele, o gemido, a voz.
Não se arrepende de nenhum. Apenas podia ter feito diferente.
Alguns, pensa, ainda podia estar fazendo, não fosse o último...
O último nome ainda não havia colocado. O último.
Tentou escolheu em vão a cor mais bonita da caixa de lápis.
Não havia cor suficiente, não havia cor à altura do nome dele.
O último nome da lista escreveu com uma agulha, depois de picar o dedo e molhar a ponta em sangue.
Ele:_________________________
Achou engraçado, patético até, mas depois pensou melhor "talvez estivesse se prevenindo para que não acontecesse o que aconteceu com ela: não se lembrava de todos!!!!"
Quando tentou fazer a sua própria lista mentalmente, sentiu-se um Don Juan de saias, como sua mãe a chamava (e ela não acreditava). Perdeu a conta e resolveu anotar também. Começou a escrever:
2 Marcelos, Giácomo (primeiro beijo), Rogério (primeiro amor, primo de Giácomo), Toninho (primeira dança lenta, segunda, terceira...), Mário, Alberto, Pedro (in memorian), 2 Franciscos (um deles teatrólogo, o outro, só louco), Konga (não era uma macaca, era um homem com o qual botei chifre no Francisco louco),
2 Marcos, Mauro (gêmeo de um dos Marcos), Márcio (o homem mais feio que já existiu), Renato (desvirginei, então tive que noivar), 2 Fernandos...
Pensava “Como consegui me formar? Como conseguia estudar desse jeito? O que a minha mãe estava fazendo que não via isso?” e sorria.
Continuou: 2 Carlos, 2 Guilhermes (in memorian de um), 3 Eduardos, Roberto (o ex-marido), um menino na danceteria idêntico ao Roberto (nem perguntei o nome), Cláudio, Licor (garçom do meu bar), um japinha no carnaval (um açougueiro, de japonês só tinha o olho e o cabelo), o amigo do primeiro Fernando, o Milionário (não posso escrever o nome), o Músico (muito menos), o Desconhecido da net (nenhum nome me ocorreu), 2 Saulos, Flor–de– Lis (esqueci o nome, mas como sempre íamos a um forró que se chamava assim...), Chulo (codinome do professor de pós-graduação mais sacana do mundo), outro japa (dessa vez cientista, cortava grandes carnes em laboratório), Elias (um mulato), Felipe, Daniel, 1 Alex e 1 Alexei, Derico, Ernani, Alfonso.
A seqüência não foi bem essa. Mais ou menos.
Em determinados momentos quis engolir o mundo e as coisas andaram meio nubladas.
Com uns foram só beijos sem namoro, outros namorou e não transou, outros transou e não namorou.
Muito poucos pensou que amou.
Dois ou três sublinhou com cor-de-rosa ou vermelho-vivo: “lembrarei até o dia da minha morte”.
Uns com carinho e saudade, outros por maus motivos.
De alguns sentia até o cheiro, o sabor do beijo, a temperatura e textura da pele, o gemido, a voz.
Não se arrepende de nenhum. Apenas podia ter feito diferente.
Alguns, pensa, ainda podia estar fazendo, não fosse o último...
O último nome ainda não havia colocado. O último.
Tentou escolheu em vão a cor mais bonita da caixa de lápis.
Não havia cor suficiente, não havia cor à altura do nome dele.
O último nome da lista escreveu com uma agulha, depois de picar o dedo e molhar a ponta em sangue.
Ele:_________________________
domingo, 7 de março de 2010
Rasante
Ontem estive só. Logo eu, tão povoada!
Meu só é imaginado, desejado com tanta força que quando alcanço já estou cansada
e quero amor
(sinto-me tão idiota falando de amor quanto um ateu dando graças a deus:blasfêmia ás avessas).
É, sinto falta de amor.
Aquele amor-instinto de perpetuar espécie, darwiniano, não o amor fingido das putas
e esposas vitorianas pra criar bem os filhos.
Amor verdadeiro é o de tigreza no cio. Tigreza com z é mais selvagem, já disse.
Pensa bem, e responde sem hipócrisia...
Eu disse sem hiporisia!
Acordei pedindo uma nova paixão.
Sem essa de promessa de ninho. Ninho é coisa de passarinho bobo.
Quero queimar ninhos e voar, percorrer savanas.
Só não me deixe esquecer isso.
Meu só é imaginado, desejado com tanta força que quando alcanço já estou cansada
e quero amor
(sinto-me tão idiota falando de amor quanto um ateu dando graças a deus:blasfêmia ás avessas).
É, sinto falta de amor.
Aquele amor-instinto de perpetuar espécie, darwiniano, não o amor fingido das putas
e esposas vitorianas pra criar bem os filhos.
Amor verdadeiro é o de tigreza no cio. Tigreza com z é mais selvagem, já disse.
Pensa bem, e responde sem hipócrisia...
Eu disse sem hiporisia!
Acordei pedindo uma nova paixão.
Sem essa de promessa de ninho. Ninho é coisa de passarinho bobo.
Quero queimar ninhos e voar, percorrer savanas.
Só não me deixe esquecer isso.
segunda-feira, 7 de setembro de 2009
Willien Nidden - Flá Perez
Era um viking assim diferente,
quase elegante.
quase elegante.
Um whitman que, de repente
pediu pra cuidar de mim
e nada ficou como antes.pediu pra cuidar de mim
Por certo causou-me estranheza
esse deus meio hyppie,
poeta caeiro,
com jeito de príncipe.
esse deus meio hyppie,
poeta caeiro,
com jeito de príncipe.
Mas ele foi como veio:
mansa mancha amarela
no olho pisado
mansa mancha amarela
no olho pisado
de azul fera.
Convido todos para o lançamento do meu livro
"Leoa ou Gazela, todo dia é dia dela"
na Livraria Cultura Shopping Iguatemi Campinas,
dia 11/09/2009 a partir das 19:00 horas .
E para o lançamento e noite de autógrafos em São Paulo,
que acontecerá durante o XXIII Sarau Politeama Diverso:
Data: 15/09/2009 Hora: 20 h 46 m
Local: Fidalga 33
Rua Fidalga, 32 – Vila Madalena
Tel: 3032-7346
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